ENTRE O PRAZER E O SIGNIFICADO

sexta-feira, março 13

O Viajante Imóvel 42

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Algumas das pessoas mais bonitas que conheci nos últimos meses:

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Gran Torino Clint Eastwood

Rachel Getting Married Jonathan Demme

The Wrestler Darren Aronofsky

Happy-Go-Lucky Mike Leigh

Milk Gus Van Sant
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The Visitor Thomas McCarthy

segunda-feira, março 9

A Poética de um Clown 31

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A sociedade dos bons sentidos
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Eram duas orelhas. Só duas orelhas.
Estavam num grande cartaz que anunciava uma marca de aparelhos de rádio: PARA OS RÁDIOS THO-KATU-DO SOU TODO OUVIDOS.
O anúncio passou à história – será esta? – e as orelhas ficaram desempregadas. Que fazer?


Deu-lhes para voar sobre a cidade, como uma borboleta gigante, à procura de poiso.
Foram ter a um ferro-velho ao ar livre, onde, no meio de muita tralha, repousavam, sem préstimo, uns óculos gigantes, com o respectivo nariz. Tinham estado pendurados na fachada de uma loja de oculista, que mudara de ramo.
Associaram-se as orelhas aos óculos mais o nariz. Já não faltava tudo.
A borboleta que voava, agora, sobre os telhados da cidade estava mais completa. Ouvia, via e cheirava.


Operários andavam a desmontar do alto da porta de uma luvaria uma grande mão enluvada. O prédio ia ser deitado abaixo. A quem interessava uma luva sem luvaria?
Interessava à nova sociedade Orelhas, Óculos & Nariz, Ldª, em franco progresso.
Mesmo enluvada, a mão tinha tacto, pegava em coisas, dizia adeus. Era uma colaboradora imprescindível.


Se as orelhas ouviam, se os olhos atrás dos óculos viam, se o nariz cheirava e se a mão tacteava, o que é que faltava, para completar os cinco sentidos?


— Faltava a boca! — não disseram eles, porque não tinham boca para dizer.
Pois faltava a boca, que é a porta do paladar e, além disso, que fala, ri, assobia, beija. Ter boca dá imenso jeito.
Mas encontrar uma disponível?! Quem a tem, guarda-a para si. Não ia ser fácil.


A sociedade Orelhas, Óculos, Nariz & Mão, Ldª, resolveu pôr um anúncio no jornal:
BOCA
Precisa-se. De preferência, com dentes. Resposta a este jornal, ao nº tal e tal.


Responderam vários candidatos. Ofereceu-se uma dentadura, mas sem boca, o que não era conveniente.
Ofereceu-se a Boca do Inferno, um precipício sobre o mar de Cascais, o que estava fora de causa. Ofereceu-se um pudim chamado Boca Doce, também a despropósito.
Ofereceu-se uma boca de favas, que ninguém percebia. Por isto ou por aquilo, todas as bocas que apareceram foram rejeitadas. A boca do estômago, a boca de incêndio, a boca da noite e outras bocas e boquinhas não vinham para o caso.


— Parece que ficamos sem boca — não disseram eles, que não tinham boca, mas pensaram.


Até que lhes apareceu um coração, um lindo coração doirado de noiva minhota, que se apresentou nestes termos:
— Faço as vezes da boca que vos faz falta, porque tenho o coração ao pé da boca.
Onde? Não se via, mas eles acreditaram. Havia tanta franqueza naquele coração de oiro, que tudo o que ele dizia tinha de ser verdade.
E provou.


O MAIOR ESPECTÁCULO DO MUNDO, anunciava a cara cheia de um palhaço, de grandes orelhas e óculos estapafúrdios, sobre o nariz pintado, a apontar, com a mão enluvada, a entrada de um circo.
Não passava despercebida.


Aquela cara inocente de palhaço tinha a boca ao pé do coração. Ou vice-versa. E cinco ou mais sentidos de alegria, sempre generosos e prontos a apresentar o maior espectáculo do mundo que é a vida. Ou vice-versa.



António Torrado
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sexta-feira, fevereiro 6

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quarta-feira, fevereiro 4

Brinquedos Ópticos 27

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terça-feira, fevereiro 3

Homo Faber 34

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'Peters é o Michel Foucault da gestão: um abanão na tradição racionalista e uma celebração da necessidade criativa de caos e loucura'.
Financial Times
'No mundo de Tom é sempre melhor tentar mergulhar de cabeça do que saltar de forma tímida'
Fast Company
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segunda-feira, fevereiro 2

Learn to Speak Body

domingo, fevereiro 1

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O senhor Valéry conhecia pessoas arrogantes e não gostava delas.

Para o senhor Valéry arrogante era a pessoa que se julgava melhor que a sua tarefa: quer esta fosse servir à mesa, escrever, ou pintar um quadro.

O senhor Valéry explicava:

Conheço pessoas que andam na rua como se fizessem um favor ao acto de andar. É perigoso julgarmo-nos maiores que a nossa tarefa – explicava o senhor Valéry.

- Se a nossa tarefa for fixar um prego na parede...
(e ele desenhava)
-...e se nos julgarmos mais inteligentes que essa tarefa, corremos o risco de falhar o prego, acertando em cheio no nosso próprio dedo.

- Deste modo – concluía o senhor Valéry – eu considero-me, em qualquer situação, ao mesmo nível da tarefa. Nem sou o seu chefe, nem o seu empregado. Eu e a minha tarefa somos coisas com igual inteligência que num determinado momento partilham o Destino. E é só.

O senhor Valéry, depois desta dissertação filosófica, ficou sem fôlego, de tão feliz que estava.
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O Senhor Valéry. Gonçalo M. Tavares. Caminho
Foto de PalhaçoVoador. Porto - Serralves. 2008
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‘Ever tried. Ever failed. No matter. Try Again. Fail again. Fail better.’

‘Ever tried. Ever failed. No matter. Try Again. Fail again. Fail better.’