ENTRE O PRAZER E O SIGNIFICADO

sábado, dezembro 23

O Viajante Imóvel 26

‘Acho o mundo muito cobarde. Por cobarde, quero dizer que é muito apertado. E as pessoas incomodam-se com coisas que não interessam, como a politica e a religião e coisas assim. Ofendem-se com essas coisas de tal forma, que perdem as coisas boas. E as coisas boas são tão importantes como qualquer coisa má que se tenha passado. Gastamos tanto tempo nas coisas más e tão pouco tempo com o comportamento humano. Quero pôr no ecrã a forma como as pessoas se conseguem relacionar umas com as outras, como as pessoas querem amor, (não dinheiro, nem mais nada) e o que passam para o conseguir. Os meus filmes expressam uma cultura que teve a possibilidade de conseguir realização material, e ao mesmo tempo, não consegue cumprir o desafio de viver as vidas humanas. Foi-nos vendido um rol de bens em vez de uma vida. O que é preciso é assegurar as emoções humanas, uma reavaliação das nossas capacidades emocionais. Eu acredito que somos animais sociais e que a natureza de viver, é definida não pelo dinheiro ou pelo poder político, mas pela virtude do facto de sermos seres sociais. Na minha opinião, estas pessoas e estas pequenas emoções são a grande força politica. As pequenas emoções, os desentendimentos são uma necessidade vital.’
John Cassavetes, no documentário “A Constant Forge – Vida e Arte de John Cassavetes”

7 comentários:

Psinocas disse...

A emoção é o tempero da vida, sem ela a vida seria um fardo.

Acabei de ler « A nossa necessidade de consolo é impossível de satisfazer » de Stig Dagerman, da Editora Fenda.

O autor nascido nos ano 20, na Suécia, viveu até aos 9 anos com os avós e só conheceu a mãe aos 19anos, sendo ele que a procurou. Parece-me que esta falta de vinculação marcou desesperadamente a sua vida, o que confirma que a nossa necessidade básica é o Amor!!!

Psinocas disse...

Gostava de sugerir o filme « Le roi et l' oiseau»,é um filme de animação, de Paul Grimaud e Jacques Prévert igualmente sobre a importância dos afectos sendo que é neles que reside a maior riqueza do Homem!

Palhaço Voador disse...

Muito obrigado pelos comentários e pela sugestão - vou procurar o filme - um abraço.

Artur disse...

Pelo detalhe das pequenas emoções conseguimos ver e ou sentir as diferentes dimensões que constituem cada homem. A força estará sempre na capacidade de transmitir a alma através de o comportamento mais eficaz e eficiente.

Poucos conseguem desfragmentar e reconstruir o comportamento, mas todos conseguem SENTI-LO...:)

Psinocas disse...

Provavelmente o maior medo da Humanidade está precisamente no permitir-se a si próprio sentir,sentir simplesmente...deixar fluir toda a gama de sentimentos sem censura, sem medo.

Quantos «anestésicos» usamos...o tabaco, os ansiolíticos, o álcool e todos os outros que nos desligam de nós próprios e da maior força do mundo , o Sonho e o Desejo.

Palhaço Voador disse...

Essas coisas que nos desligam de nós próprios não serão tomadas porque "a nossa necessidade de consolo é impossível de satisfazer" e porque o desejo insiste em não ser ouvido e o sonho insiste em não ser cumprido?
Um abraço.

Joaquim Amândio Santos disse...

a ousadia não está em ver no preciso espaço que nos rodeia e onde escondemos o medo próprio de quem não enfrenta o desconhecido, o falso aconchego nascido no único ninho que conhecemos.
Ousar está no salto para lá desse quarto escuro, indo ver o mundo. lá fora. para lá da janela. inteiro.

‘Ever tried. Ever failed. No matter. Try Again. Fail again. Fail better.’

‘Ever tried. Ever failed. No matter. Try Again. Fail again. Fail better.’