ENTRE O PRAZER E O SIGNIFICADO

sábado, abril 14

Dias de Coimbra



'- Sabem quantas pessoas tem havido desde o princípio do mundo até hoje?
- Duas. Desde o princípio do mundo até hoje não houve mais do que duas pessoas: uma chama-se humanidade e a outra indivíduo. Uma é toda a gente e a outra uma pessoa só.
Um dia perguntaram a Demócrito como tinha chegado a saber tantas coisas. Respondeu: perguntei tudo a toda a gente.
Bastantes séculos mais tarde Goethe confessou por sua própria boca que “se lhe tirassem tudo quanto pertencia aos outros, ficava com muito pouco ou nada”.
Por aqui se vê que cada um é o resultado de toda a gente; o que de maneira nenhuma quererá dizer que seja o bastante ter cada qual conhecido toda a gente para que resulte imediatamente um Demócrito ou um Goethe! Precisamente o difícil não é chegar aos grandes, mas a si próprio!... Ser o próprio é uma arte onde existe toda a gente e que raros assinaram a obra-prima.
O que está fora de dúvida é que cada um deve ser como toda a gente, mas de maneira que a humanidade tenha efectivamente um belo representante em cada um de Nós.'
ALMADA NEGREIROS

2 comentários:

Alexandre disse...

Viva!

Que curioso este teu post. Hoje havia pensado o mesmo, enquanto passeava num bosque. Por instinto de sobrevivência eu procurei a "verdade" nos grandes clássicos da literatura mundial, nos maiores filósofos da história, na ciência (fui biólogo e educólogo), na arte, no estudo das grandes e pequenas religiões, no neo-paganismo (estudei druidismo), enfim...em todos os lugares e recantos da humanidade. Hoje, cansado do peso de toda e qualquer tradição, enfastiado com as toneladas de comida indigesta de informação e conhecimento que adquiri, apetece-me, simplesmente, sair de casa, deixar para trás o "Livro do Desassossego", minha actual leitura que tarda em acabar, com uma mochila às costas, e ir tomar um banho, nú, num riacho de água fria, perdido nas montanhas por detrás da minha casa. Porque é que só num lugar deserto faz sentido ser-se, estar-se nú? Os moralistas ensinaram-me a "pare-ser" (parecer), para o bem e ordem e harmonia de costumes da colectividade, e para a sua própria sobrevivência. A historicamente recente ascensão do Indivíduo depôs a farsa da Colectividade. Cairam regimes, desfizeram-se, por fim, impérios. Ainda há reis e vassalos. Isto faz-me confusão - ninguém é dono de ninguém. Sozinhos não sobrevivemos, mas em comunidade apenas sobrevivemos. Onde está a vida? Julgo que no teatro, e nas artes em geral, ou em qualquer caminho da criatividade genuína, um ser humano encontra esse dilema: A Vida ou o Fingimento da Vida, eis a questão. A auto-consciência é como uma grande copa de árvore: só pode ser sustentada por um tronco firme. Acho que tenho ramos fracos e um tronco débil...em breve vou sucumbir ao peso da minha copa.

Palhaço Voador disse...

ou não... fixo-me no que vale a pena: respirar bem, aqui e agora - não há muito mais - sempre deslumbrado com a autenticidade e com a criação. evitando guiões pré-definidos e a dar apenas na medida da minha vontade e generosidade, sem sacrificios excessivos. Egoismo? talvez. Só a verdade provoca verdade.Um grande abraço. Desejo-te um belo banho, daqueles que tornam as raízes mais fortes.

‘Ever tried. Ever failed. No matter. Try Again. Fail again. Fail better.’

‘Ever tried. Ever failed. No matter. Try Again. Fail again. Fail better.’