ENTRE O PRAZER E O SIGNIFICADO

quinta-feira, junho 11

O Grande Teatro do Mundo 26


TRAIÇÕES
de Harold Pinter
ACE - Teatro do Bolhão
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Alguém terá dito que "as personagens de Harold Pinter nunca dizem o que pensam e raramente pensam o que dizem"; nunca vi em teatro uma tão grande aproximação à realidade. Não que o considere um apologista do cinismo, tido no seu sentido mais vulgar, mas um mestre na observação da génese da palavra dita.
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Não mais se poderá confundir discurso com mensagem.
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Se analisássemos o quanto traímos a cada momento que estabelecemos comunicação com o outro, ficariamos estarrecidos com a nossa falta de verdade.
Este mecanismo de defesa e de sobrevivência raramente é consciente; moldamos a própria memória ao sabor das nossas necessidades mais inconfessáveis. O inconsciente domina o nosso discurso e somos levados a dizer aquilo que não queriamos porque uma pulsão, uma imagem, um desejo, uma recordação (verdadeira ou construida) se atravessou no caminho do nosso raciocínio. Traímos portanto, e esta é a nossa trágica condição.
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João Paulo Costa, no programa da peça.

1 comentário:

artur disse...

que maravilha!

‘Ever tried. Ever failed. No matter. Try Again. Fail again. Fail better.’

‘Ever tried. Ever failed. No matter. Try Again. Fail again. Fail better.’