ENTRE O PRAZER E O SIGNIFICADO

quinta-feira, março 29

Obra Primata 4

'Sobre humanos e outros animais', um livro de John Gray


Tirando o excesso de pessimismo limitador neste ataque cerrado ao humanismo, um texto muito interessante para reflectir, e provocar polémica, sobre a condição trágico-cómica do humano que se julga superior à sua essência animal e clownesca.

'Apenas as pessoas atormentadas querem a verdade. O homem é como os outros animais, quer comida e sucesso e mulheres, não a verdade. Só se a mente torturada por uma tensão interior desesperou da felicidade: odiará então a jaula da sua vida e procurará mais longe.'
'Os que lutam por mudar o mundo vêem-se a si próprios como figuras nobres ou, mais do que isso, trágicas. Contudo, muitos dos que dedicam esforços para melhorar o mundo não são revoltados contra a ordem das coisas. Procuram consolação para uma verdade que são demasiado fracos para suportar. No fundo, a sua fé de que o mundo poderá ser transformado pela vontade humana representa uma negação da sua própria mortalidade.'
'A acção preserva um sentimento de auto-identidade que a reflexão compromete. Quando trabalhamos no mundo possuímos uma solidão aparente. A acção consola-nos da nossa inexistência. Não é o sonhador ocioso que se evade da realidade. São os homens e as mulheres práticos, que se viram para uma vida de acção como refúgio contra a sua insignificância.'
'Procurar um sentido na vida talvez seja útil como terapia, mas nada tem a ver com a vida do espírito. A vida espiritual não implica uma busca de sentido, mas uma libertação dessa busca.'
'Os outros animais não precisam de um propósito na vida. Contraditoriamente, o animal humano não pode viver sem ele. Não poderemos pensar que o propósito da vida poderá passar pela sua simples observação?'

1 comentário:

Alexandre disse...

Viva.

Procurava algo, o tal sentido, viajando de blog em blog, e cheguei aqui.

Agora, que li este texto, já nem sei se devo continuar a viajar.

Gostei. Vou copiá-lo. Lê-lo várias vezes. Tenho a mente mecanizada, ela não digerirá estas palavras num só dia.

‘Ever tried. Ever failed. No matter. Try Again. Fail again. Fail better.’

‘Ever tried. Ever failed. No matter. Try Again. Fail again. Fail better.’